"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." - Martin Luther King

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Comissão da Verdade é revanchista, sim!


Por Reinaldo Azevedo – Veja.com
De todas as tolices que se dizem sobre a tal “Comissão da Verdade”, a maior delas é a que sustenta que ela não tem nada a ver com revanchismo. Ora… Trata-se de revanche, sim, ainda que ela se situe no terreno da pura narrativa. As pessoas diretamente envolvidas com essa comissão já deixaram mais do que claro que se trata de contar a história segundo a ótica das esquerdas. Como elas perderam aquele confronto — curiosamente, só chegaram ao poder por meio do método que rejeitavam: as “eleições burguesas”!!! —, tentam agora vencer a outra luta: a do “bem” (elas) contra o “mal” (os outros).
O nome disso é revanche. A ideia de que o Estado defina uma “verdade” oficial, diga-se, já é de um autoritarismo escandaloso. O país é livre. As universidades são autônomas. Os historiadores podem trabalhar à vontade. Por que há de ser o aparelho estatal a dizer “a” verdade? O fato de a academia — com raras e honrosas exceções — não reagir ao estabelecimento de uma “verdade oficial” e apoiar a iniciativa dá conta da indigência intelectual média da turma. Sigamos.
Essa Comissão da Verdade não resiste a algumas indagações básicas.

1 - Vai reconstituir, no detalhe, o assassinato do soldado do Exército Mário Kozel Filho, morto a 11 dias de completar 19 anos? Serão listados os participantes do atentado que o matou e os chefes das organizações terroristas?

- Serão reconstituídos as últimas horas de vida do tenente da Polícia Militar Alberto Mendes Júnior, que teve o crânio esmagado a coronhadas por Carlos Lamarca e seu bando?

3 - Vão reconstituir, em suma, as circunstâncias da morte de pelos menos 119 pessoas, assassinadas por grupos de extrema esquerda?

4 - Terá a comissão a coragem de contar também esse lado da “verdade”, indicando, reitero, os nomes dos chefes dessas operações — e Dilma Rousseff foi, sim, dirigente de duas organizações que mataram pessoas?

5 - A comissão será independente o bastante para demonstrar que a maioria desses mortos não tinha nem mesmo ligação com a luta política?

As minhas perguntas são meramente retóricas porque eu já sei a resposta. Ora, se o objetivo da Comissão da Verdade é reconstituir a história segundo o exclusivo ponto de vista da esquerda, partindo das premissas falsas de que os terroristas de então queriam democracia e só optaram pela luta armada porque não tinham uma alternativa, não é Comissão da Verdade, mas da mentira;  não é aposta na pacificação, mas na revanche.
Os xingamentos todos eu já conheço; espero contra-argumentos.

terça-feira, 13 de março de 2012

Entrevista exclusiva com Caio Fábio - Por Cristianismo Hoje

“Eu só quero viver em paz”. Pastor diz não rejeitar seu passado e que quer ser livre do sistema religioso
Depois de vários anos sumido do noticiário nacional, o pastor Caio Fábio D’Araújo Filho voltou às manchetes no fim do ano passado. Réu na ação movida contra ele por conta do episódio conhecido como Dossiê Caimã – conjunto de documentos falsos que, pouco antes da eleição presidencial de 1998, acusava altas figuras do governo de ter contas secretas naquele paraíso fiscal –, Caio foi condenado por uma juíza federal a pouco mais de três anos de reclusão. Cabe recurso, e o pastor já avisou que vai até às últimas instâncias. “A juíza quer aparecer”, ataca, sustentando a mesma versão que conta desde o início do imbróglio: a de que foi envolvido inocentemente numa conspiração política. Essa parte de seu passado, bem como muitas outras, já não são conhecidas pelas novas gerações de crentes. Contudo, os evangélicos mais maduros sabem que Caio foi a mais destacada liderança evangélica já surgida no país, cuja visibilidade, catapultada por uma ação ministerial intensa – como a criação da organização Visão Nacional de Evangelização, a Vinde, e da Fábrica de Esperança, megaprojeto social que atendeu centenas de milhares de carentes num conjunto de favelas do Rio –, marcou época entre os anos 1970 e 90.
Hoje, Caio olha para esse passado com serenidade. Ele diz que não repudia nada do que fez, mas que não quer mais saber de ser a figura pública, aclamada e requisitada de outrora. “Esse tempo acabou definitivamente para mim. Minha alma não tolera mais a possibilidade dessa vida itinerante”, diz, em sua casa em Brasília. Cercado de árvores, jardins e recantos, é dali que ele grava os programas que exibe pela internet, parte importante das atividades do Caminho da Graça, ministério que hoje capitaneia. Tida como uma igreja de perfil alternativo, o grupo reúne-se em várias cidades brasileiras e, segundo Caio Fábio, procura restaurar o sentido da comunhão cristã. “Ele é um movimento conduzido pela Palavra e pelo Espírito Santo. Queremos que  invada a massa, abranja tudo e se torne incontrolável como o vento que sopra onde quer”, diz, com a retórica privilegiada que conquistou milhões de admiradores e fez sucesso em mais de 100 livros publicados. De certas experiências do passado, ele não esconde a dor – como a separação de sua primeira mulher, Alda Fernandes, com quem teve quatro filhos, e a trágica morte de Lukkas, o terceiro deles.  Contudo, embora muito criticado e contestado ao longo desses anos todos, ele assegura, “diante de Deus”, que não sente mágoa de ninguém. Aos 57 anos de idade, casado com Adriana Ribeiro, Caio Fábio D’Araújo Filho se diz em paz. “Eu sou livre. Sou nascido do Evangelho, nascido de Jesus. Hoje, sirvo ao Senhor e não preciso perder o meu ser, a minha saúde, a minha paz, o meu convívio familiar. Isso é graça de Deus para mim!”

CRISTIANISMO HOJE – Recentemente, o senhor voltou ao noticiário com a notícia de sua condenação no processo que investiga o episódio do Dossiê Caimã. Como ficou esse processo?
CAIO FÁBIO D’ARAÚJO FILHO – Meu advogado entrou com recurso e eu ganhei. Agora, deve seguir para outra instância. Esse processo é uma loucura inominável. Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que seria o maior prejudicado se a história fosse verdadeira, já veio a público me isentar de qualquer culpa.

Se sua inocência é tão óbvia como diz, por que um assunto praticamente esquecido pela opinião pública foi trazido novamente à tona?
Por iniciativa de uma juíza federal que gosta de aparecer. Como o episódio foi um fato histórico que envolveu até a Presidência da República, ela quis ser a mulher que decretou a prisão do indivíduo que seria o boi de piranha daquele negócio todo. Um grupo de advogados amigos de São Paulo queria até entrar com uma representação contra ela perante os conselhos de Magistratura, porque acharam que ela passou dos limites. Mas o advogado que me representa nos autos não deixou.

A quem interessaria uma condenação sua?
Ah, interessaria a muitos religiosos. O próprio pessoal da imprensa que me ligou disse que isso é uma coisa surreal, que aquela mulher é doida. Ninguém acredita em nada daquilo. Só a Folha de São Paulo é que deu com um destaque maior por uma razão política que eu não vou dizer aqui. E a TV Record [ligada à Igreja Universal do Reino de Deus], por razões óbvias. Estou junto como réu ao lado de Paulo Maluf e Lafayette Coutinho. No entanto, só eu fui condenado! Mas olha, se, por algum motivo totalmente inexplicável, esse negócio chegar ao Superior Tribunal de Justiça, será liquidado lá. E, se por alguma insanidade passar e for ao Supremo, vai morrer na praia.

O senhor trabalha com a hipótese de uma condenação definitiva?
Se, por alguma conjunção cósmica totalmente irracional, eu for mesmo condenado a prestar serviço comunitário ou fazer ação social, eu vou dar um grande “aleluia”, porque estarei sendo condenado a ser eu mesmo, a fazer o que sempre fiz esses anos todos, por minha total iniciativa.

O senhor concebeu e liderou um dos maiores projetos de cunho social de iniciativa de evangélicos já feitos neste país, a Fábrica da Esperança, considerado o maior do gênero na América Latina. Com esta credencial, como o senhor avalia a relativamente pequena atuação da Igreja brasileira na área social, ainda mais evidenciada quando consideramos as altíssimas somas de dinheiro arrecadadas pelos grandes ministérios e denominações?
Não existe nenhum grupo mais ególatra dentre todos os movimentos religiosos planetários do que o movimento evangélico. Isso por causa da semente dele – a semente é má, é de divisão. A semente original, de protesto contra a Igreja Católica, transformou-se numa semente de protesto existencial contra tudo. Essa divisão criou a ênfase no dogma doutrinário. Isso divide, qualquer que seja o desencontro, em qualquer nível na escala de valores. Falta tolerância naquilo que não tem significado para a salvação, no que não altera o DNA do Evangelho. Esse tipo de tolerância no olhar nunca existiu. O que se instituiu foi a prevalência do existencialismo espiritual, e esse não lida com as categorias objetivas de valor. E logo o chamado movimento protestante virou esse guarda-chuva evangélico, sob o qual cabem todas as coisas. Quando é que pode haver unidade e serviço ao próximo se, no meio evangélico a unção para nada serve senão para erigir egos? A unção do Espírito Santo deve redundar no amor, na compaixão, na misericórdia, no serviço – mas a “unção” que vemos aí só tem poder para criar lúciferes com purpurina na cara, que atuam em palcos com luzes. 

Em função deste e de vários outros projetos e iniciativas, o senhor levantou muito mais recursos do que o de diversos líderes de hoje, que estão até comprando aviões particulares.  À época, o senhor teve o seu?
Nunca tive avião ou helicóptero. Faz parte da minha filosofia não adquirir nada. Nem esta casa onde vivo eu comprei, ela me foi alugada a um valor simbólico por três senhoras amigas. Eu nunca comprei coisa nenhuma, nunca acreditei em compra de nada. O Caminho da Graça nunca vai comprar nada. Creio que imobilizar dinheiro do povo de Deus com patrimônio físico é pecado. Quem diz que a nossa pátria está nos céus e faz aquisições poderosas ou erige templos salomônicos está pecando contra o espírito do Evangelho. Tudo o que eu construí e mantive era alugado. Passei 25 anos declarando que não tinha o menor compromisso com a manutenção de coisa alguma que virasse um fim em si mesmo. Quando você é dono de propriedades, você acaba vivendo para fazer a manutenção de tudo e as coisas perdem a finalidade.

E o senhor vive de quê?
Sempre vivi exclusivamente do ministério. Todos os direitos autorais dos meus livros e a renda obtida com nossas atividades no passado – TV, rádio, revista, editora – era voltada para a atividade missionária, social, evangelizadora e de treinamento. Era tudo reinvestido naquilo que fazíamos. E continua sendo assim hoje.

Quem o ouve falar percebe que o senhor faz questão de traçar uma linha divisória entre o que é hoje e o que fez, em especial em relação ao seu passado institucional, quando era uma figura pública dentro e fora da Igreja. Há algo que o senhor repudia em seu passado?
Não. Eu nunca rechacei meu passado. Só não faria de novo. Naquela época, contudo, foi necessário. Só de uma coisa me arrependo no meu passado institucional: ter aceitado a imposição de ter sido feito presidente da Associação Evangélica Brasileira [AEVB], pela qual eu mesmo trabalhei muito para ver criada. Eu não queria a função, mas fui eleito por aclamação. Praticamente me obrigaram a aceitar, porque a entidade surgiu com o patrocínio da Vinde. Noventa por cento da AEVB estavam ligados aos ministérios que eu dirigia. Eu não queria e nem precisava presidir a AEVB. Pelo contrário – eu é que dei mídia para ela.

Nova Arma Não Letal, feita pelos EEUU

segunda-feira, 12 de março de 2012

Corpo de Bombeiros expulsa líder grevista e mais 12



- Daciolo e seus companheiros foram punidos por "articulação em manifestação"

Daciolo foi considerado símbolo do movimento por melhores salários

O comando-geral do Corpo de Bombeiros decidiu nesta segunda-feira pela exclusão do cabo Benevenuto Daciolo, símbolo do movimento grevista, e mais doze bombeiros apontados como líderes da paralisação.
De acordo com a assessoria da corporação, todos são considerados “culpados por articulação em manifestações de caráter político-partidário, nas quais incitaram ostensivamente a tropa à prática de ilícitos de natureza disciplinar e penal militar, além da adoção de conduta incompatível com a missão de Bombeiro-militar”.
As audiências do Conselho Disciplinar da corporação foram realizadas na última semana. Segundo a assessoria dos bombeiros, os conselheiros consideraram culpados todos os envolvidos. Eles respondiam por aliciamento e incitamento a motim.
Com esta etapa cumprida, dois relatórios - um especial sobre Daciolo e outro relacionando os outros líderes - foram enviados ao comandante-geral Sérgio Simões. Ele tinha prazo de cinco dias para bater o martelo.
No caso dos demais participantes, o período foi cumprido à risca, uma vez que haviam sido julgados na quarta-feira (7). Contudo, em relação a Daciolo, o comandante se antecipou, já que a audiência sobre a situação do cabo ocorreu na sexta-feira (9).
Daciolo foi preso dia 9 de fevereiro, depois de ser flagrado em escutas telefônicas supostamente negociando estratégias grevistas com líderes do movimento na Bahia e no Rio. A paralisação, que englobava bombeiros, policiais militares e civis, foi anunciada oficialmente no dia seguinte, em uma assembleia na Cinelândia, no centro da capital fluminense.
Os outros bombeiros que ficaram detidos com Daciolo no complexo penitenciário de Bangu (zona oeste), em meados de fevereiro, foram capturados alguns dias depois.
Bombeiros não foram comunicados
O Movimento dos Bombeiros divulgou nota na qual informou que tomou conhecimento da decisão da corporação pela imprensa. Leia um trecho da nota.
“O Movimento dos Bombeiros esclarece que soube pela imprensa da expulsão de 13 bombeiros militares que participam da luta por dignidade, iniciada em abril de 2011. São 13 pais de família que no total efetuaram o salvamento de milhares de vidas. O movimento sempre foi pacífico e ordeiro, pela dignidade, e sempre foi pautado pela busca por diálogo e entendimento. Lembramos que estes 13 pais de família foram presos em Bangu 1, em presídio, de forma arbitrária e ilegal, mantidos em celas durante sete dias. Agradecemos o apoio que a população fluminense, sabedora que arriscamos nossas vidas pela vida do próximo, recebendo o pior salário do Brasil, sempre nos deu. Todas as medidas judiciais cabíveis serão tomadas”.
A mulher de Daciolo, Cristiane Daciolo, disse que não conseguiu entender o motivo da exclusão dos bombeiros. Ela disse que mantinha esperanças por causa da conduta "exemplar" do marido e dos outros participantes do movimento.
- Eu não sei o que fazer. Ainda não digeri. Achei que a conduta perfeita, exemplar, deles fosse pesar a favor. Mas não pesou, infelizmente.
Movimento enfraquecido
A prisão das principais lideranças refletiu no movimento, que acabou perdendo força. No dia 13 de fevereiro, a greve foi suspensa, após assembleia geral realizada na Lapa, região central do Rio.
O anúncio da paralisação foi marcado pelo desabafo de Ana Paula Matias, mulher do sargento Alex Matias, do 2º GMar (Grupamento Marítimo), que falou em nome do marido e de seus companheiros.
- Nunca deixamos de atender à população. O que existe é a luta pela Justiça. A luta neste momento não é mais por dignidade salarial, é simplesmente pela dignidade humana. O único crime será manter esses homens presos.
Veja a relação de bombeiros expulsos:
Cabo Alexandre Salvador de Azevedo
Cabo Paulo Roberto Noronha dos Santos Junior
Cabo Andrei Carlos Azevedo dos Santos
Cabo Adhemar de Queiroz Balthar Junior
Cabo Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos
3º sargento Heraldo Correia Vieira
3º sargento Alexandre Gomes Matias
3º sargento Wallace Rodrigues Chaves
3º sargento BM Harrua Leal Ayres
3º sargento André Manoel Pontes Matos
2º sargento Daniel Alves dos Santos
2º sargento Paulo Edson de Campos do Nascimento
Subtenente Valdelei Duarte

Padre que chamou evangélicos de otários pode ser afastado da igreja


O padre Paulo Ricardo de Azevedo Junior, que chamou os cristãos protestantes de otários e orgulhosos, pode ser afastado do seu cargo após reclamações de outros padres, que também se sentiram ofendidos pelos seus sermões do colega.
A polêmica ministração na qual o padre criticou os evangélicos aconteceu no “Vinde e Vede”, um tradicional evento católico que acontece no período de Carnaval.
O pedido de afastamento do padre foi feito por meio de uma carta aberta, assinada por 27 padres e protocolada junto à Mitra Arquidiocesana e à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No documento, segundo a agência Mídia News, colegas alegam que o padre Paulo Ricardo vem ofendendo e denegrindo a imagem dos párocos locais. O pedido para o padre ser afastado será julgado pelo arcebispo de Cuiabá, dom Milton Santos.
Um dos motivos que levou ao pedido dos religiosos pelo afastamento do colega foi o vídeo de uma palestra do pároco na qual ele questiona: “Quantos padres foram tomados completamente pelo espírito do mundão. Tá entendendo? Caíram no mundão, no mundo (…) Quer dizer que estão no mundão, tão na festança, tão no pecado. Não querem mais ser padres. Querem ser boy. Querem tar (sic) na moda. Tá entendendo? Querem ser iguais a todo mundo. Padre que quer ser igual ao mundo!”
Alegando que ele “não tem saúde mental para ser formador de futuros presbíteros”, os padres pedem para que, além de ser afastado do comando das missas de sua paróquia, Paulo Ricardo de Azevedo seja também retirado do cargo de mestre do Seminário Dom Aquino Correa (Sedac), em Várzea Grande.
Fonte: Gospel+