“ "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." - Martin Luther King

domingo, 19 de janeiro de 2014

Família militar perde muito com falso cálculo da inflação. Inflação real de 2013 ultrapassa os 15%, governo diz que foi 5.9%

Os militares das forças armadas, que segundo calculos das associações já acumulavam perdas maiores que 130%, em maio de 2013 receberam reposição de 9.2%. Contudo, desse valor já perderam cerca de 65%. Isso se levarmos em consideração o cálculo da inflação feito pelo governo federal, que alega que o índice foi de 5.9%. Pelas estimativas de economistas mais realistas a inflação real do ano de 2013 ultrapassou os 15%, só não percebe isso quem não usa o salário para alimentação da família e vive completamente às custas do governo, como alguns altos funcionários do executivo. Só a carne aqui no rio aumentou em um ano mais de 20%. A cesta básica como um todo também aumentou bastante. Em Salvador a alta de 2013, medida pelo próprio Dieese, ficou por volta de 16%. Como então o governo pode dizer que a inflação foi de 5.91%?
No seu cálculo mágico o governo leva em consideração o preço do salmão, dos celulares e até o preço das passagens aéreas. A alimentação, item mais importante para quem é assalariado, tem peso de apenas 23% no cálculo. Assim é mole, se a alimentação pesasse mais nessa conta certamente ultrapassaríamos facilmente os 15%. No Rio de Janeiro, em maio de 2013, quando os militares receberam o reajuste, o quilo da asa de frango estava em R$ 5,5 reais. Hoje, 14 de janeiro de 2014, a asa de frango custa R$ 9,50, isso significa uma alta de 80%, um absurdo! 
Desse jeito fica difícil. Como nossos soldados, cabos e sargentos, parcela mais sofrida dos quartes, vão aguentar mais dois anos com esse falso reajuste?

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

RELIGIÃO OU MAGIA? - Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho

- Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 24.3.13

Muita gente entre nós confunde religião e magia. Isto se deve a três fatores: a Bíblia vista como livro de receitas mágicas, o pastor visto como pajé, e o culto entendido como manipulação de forças espirituais. Os dois últimos são a base de cultos animistas e pagãos. Juntou-se-lhes a compreensão errada da Bíblia (primeiro item) e eis uma prática animista com tintura bíblica. Não se estuda a Bíblia para reger a vida por ela, mas para extrair práticas que legitimem a magia bíblica.
            Há muitas diferenças entre magia e religião. Pelo espaço e natureza desta pastoral, cito três:

(1) A magia busca manipular forças espirituais para benefício; a religião procura a vontade de Deus e o ajustar-se a ela; 
(2) A magia busca facilidade para viver; a religião busca maturidade para saber viver; 
(3) A magia busca resolver problemas pessoais, sem noção do outro; a religião se preocupa também com o próximo e o mundo. Na magia, a questão é: eu diante da força espiritual ou cósmica para resolver meu problema. Na religião, a questão é como ser usado por Deus como agente de transformação.

O evangelho não é magia. Alguns cultos não refletem sobre Deus, mas sobre como usá-lo. Ou são formatados para as pessoas se sentirem bem. Muitos cânticos seguem esta linha: criar uma sensação de bem estar, de relaxamento espiritual, em vez de proclamar as grandes verdades da Bíblia. A música evangélica não apenas expressa sentimentos, mas também proclama a grandeza de Deus, seu amor, sua salvação. Mas eis visão de magia: o culto é para nos sentirmos bem, não para estarmos diante do Totalmente Outro, do Transcendente, do Santo, e nos submetermos a dele.
A experiência de Isaías foi fantástica. Entre a fumaça viu Alguém no trono. Ficou aterrado (Is 6.5). Arrebatado em espírito, João teve uma visão do Cristo glorificado. Resultado: “Quando o vi, caí aos seus pés como morto” (Ap 1.17). O verdadeiro culto produz temor, reverência, consagração e serviço. Como Isaías: “E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!” (Is 6.8). Há muita adoração e louvor hoje! Multiplicam-se cultos e reuniões evangélicas! Mas há escassez de santidade e de serviço. As pessoas vão aos cultos, sentem-se bem, fazem uma catarse, mas não são transformadas! Os líderes evangélicos não têm reputação de santos no Brasil, mas de espertalhões.
Magia ou religião? Liberação emocional ou adoração? O Deus verdadeiro, manifestado em Jesus, ou a estética do culto? Foi o Ruah (Espírito) de Deus quem falou ou a psiquê (a interioridade) que se manifestou? Magia aliena e produz uma vida vazia e artificial. A verdadeira religião, o evangelho de Jesus, produz segurança, equilíbrio, maturidade, realização. É dizer “achamos o Messias” (Jo 1.41).
Você busca magia ou religião?
Fonte:IsaltinoGomesCoelho Filho
 http://www.isaltino.com.br/2013/03/religiao-ou-magia/

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O TEMPO E AS JABUTICABAS

- Bo@noia - Estou em um tempo de vida onde as avaliações se fazem sempre necessárias, assim encontrei esse texto do Rubem Alves, que diz muito a meu respeito, e que gostaria de ter escrito; portanto, compartilho com vocês...

"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'. 
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. 

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena."


Rubem Alves é escritor - Nasceu no dia 15 de Setembro de 1933, em Boa Esperança - Sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança.
www.rubemalves.com.br

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

AS RESPONSABILIDADES DOS PRESBÍTEROS - G. I. Williamson - Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

1. Em textos como Atos 20.28, 1 Pedro 5.1-3 e Hebreus 13.17, fica claro que os presbíteros são:
(a) pastores do rebanho de Deus. Eles devem cuidar, guiar e alimentar o povo de Deus com a verdade de sua Palavra, assim como bons pastores de ovelhas cuidam para que elas tenham pastos verdejantes e água adequada. Eles são:

(b) vigias que são responsáveis pela alma dos homens, sendo obrigados a dar conta de sua supervisão. Eles também devem ser:

(c) exemplo para o povo Deus, jamais agindo como dominadores (1Pe 5.1ss). Entre as várias atribuições que encontramos mencionadas na Escritura, destacamos as seguintes: os presbíteros devem visitar os enfermos (Tiago 5.14); garantir que tudo na igreja seja feito com decência e ordem (1Co 14.37-40); lutar contra a falsa doutrina (Atos 20.28-30); evitar disputas infrutíferas sobre meras palavras (2Tm 2,14); exortar o povo (Tito 1.4); e juntamente com os presbíteros de outras igrejas devem resolver as disputas que surgem em sua congregação sobre a base da autoridade suprema da Bíblia (Atos 15).

2. É claro a partir dessa breve investigação, e de outros textos similares, que o presbítero é primariamente responsável por manter uma supervisão dos membros particulares da igreja local. A passagem de 1 Pedro 5.2-3 sugere que todo presbítero na era apostólica recebia uma esfera específica de dever e autoridade. (Um bairro com várias famílias era designado à responsabilidade particular de determinado presbítero?) Ele também tinha que se preocupar com o bem-estar da congregação como um todo. A vida corporativa da igreja estava sendo mantida fiel às Escrituras? O Evangelho verdadeiro estava sendo fielmente pregado, os sacramentos corretamente administrados e a disciplina eclesiástica fielmente mantida? A doutrina, adoração e governo da igreja estavam sendo mantidos de uma forma bíblica? Sem dúvida, é evidente quão artificial seria imaginar que os presbíteros tinham apenas uma função real [de rei]!

3. Para realizar essa tarefa importantíssima, é óbvio que o presbítero regente de hoje precisa estar bem arraigado nas Escrituras. Ele precisa de uma boa compreensão do que chamamos “teologia bíblica”, o entendimento do processo de autorrevelação de Deus na história, como apresentado na Escritura. Como ele pode proteger o rebanho das más interpretações atomistas das seitas de hoje, se ele não sabe como interpretar um texto particular da Bíblia à luz desse desdobramento da revelação de Deus? Novamente, ele precisará ter uma boa noção de “teologia sistemática”.
Numa seção anterior, o autor tentou demonstrar que “tanto presbíteros como diáconos incorporam a autoridade delegada de Cristo. A medida desse dom difere, mas há um aspecto ou elemento profético, sacerdotal e real na obra dos presbíteros e dos diáconos”.

[N. do T.]   Dificuldades que surgem na vida dos crentes são devido a uma carência do entendimento da verdade de Deus como um sistema coerente. O resultado é que eles carecem da habilidade para distinguir coisas que são diferentes. Como os presbíteros podem ajudar a aliviar essa fraqueza, se eles mesmos carecem de discernimento? Aqui vemos a importância prática de pelo menos um entendimento modesto da história da Igreja. A maioria dos nossos problemas modernos é pouco mais que versões recauchutadas de heresias e movimentos contra os quais a Igreja já lutou no passado. E, sem dúvida, os presbíteros precisam entender os princípios de governo eclesiástico. Observamos essas coisas, primeiro, porque não queremos que algum leitor pense que minimizamos a educação. É essencial que todos os presbíteros da igreja sejam bem versados nesses assuntos. Mas tendo dito isso com ênfase, é igualmente importante observar que a maioria das qualificações para o ofício de presbítero não possuem caráter acadêmico. Aqui está, em nossa opinião, a fraqueza básica em nosso atual sistema de treinamento de presbíteros docentes. Não é autoevidente que o apóstolo, ao apresentar as várias exigências para o ofício na igreja primitiva, esperava que as pessoas escolhessem dentre eles (Atos 6.3) homens que satisfizessem aquelas exigências? Não é igualmente autoevidente que as pessoas poderiam fazer isso somente se tivessem um relacionamento relativamente de longo prazo com os homens que estavam avaliando? É justamente aqui que vemos um sério problema hoje. O sistema atual de treinamento via Seminário não fornece essa exposição contínua daqueles que desejam ser presbíteros docentes aos membros da congregação. As congregações geralmente chamam homens de quem têm pouco ou nenhum conhecimento íntimo. Isso nem sempre foi assim. Antigamente no Presbiterianismo Americano, os pastores eram com frequência treinados por pastores enquanto viviam com a congregação. Cremos que é tempo de buscar restaurar essa dimensão. Talvez a invenção providencial de meios de comunicação por meio dos quais a instrução pode ser ministrada à distância nos ajudará a preencher essa lacuna. O povo de Deus deveria conhecer os homens que chama. Deveria conhecê-los bem o suficiente para determinar o seu voto com base em todas as qualificações listadas pelo apóstolo, e não apenas aquelas que são acadêmicas.

Fonte: Trecho do excelente artigo A Look at the Biblical Offices, de G. I. Williamson, que apareceu na revista Ordained Servant vol. 1, no. 2 (Abril 1992). - http://www.monergismo.com/wp-content/uploads/responsabilidade-presbitero-williamson.pdf


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pastores, parem de pregar!!!

- Deixem ser usados pelo Espírito, e o que Deus falar através de você incendiará o mundo.
Há algum tempo conversei com um homem que havia se convertido há um ano. Ele me disse que havia decidido parar de frequentar a igreja. Surpreso com a decisão dele, indaguei o motivo, e ele me disse: "É simples, existe uma diferença incrível entre a mensagem que ouço aos domingos e a Bíblia que leio diariamente. A Bíblia me transforma dia após dia, mas o que eles pregam na igreja parece estranho."
Jack Deere conta que numa pequena cidade, onde não havia um bar, alguém começou a construir uma taverna, não dando atenção a um pastor da cidade que pregava contra a ideia. O pastor e alguns cristãos reuniram-se para uma vigília com o objetivo de pedir a providência de Deus quanto ao caso. Naquela mesma noite, um raio atingiu a taverna em construção, destruindo-a completamente. O dono do prédio deu início a um processo judicial contra o pastor e a igreja, alegando que os crentes eram os responsáveis pelo que acontecera. O pastor e a igreja contrataram um advogado que negou que eles tivessem alguma coisa a ver com o ocorrido. Quando chegou o dia do julgamento, o juiz afirmou: "Uma coisa ficou muito clara neste caso, não importa qual seja seu desfecho. O dono da taverna acredita no poder da Bíblia e da oração, o pastor e os crentes, não."
Estas duas histórias são reais e chocantes. No entanto, elas refletem a realidade de um grande número de pastores da atualidade. Todas as semanas perto de um milhão de sermões são pregados em cerca de trezentas mil igrejas evangélicas no Brasil. Calculo que uma pessoa que frequente uma igreja por 15 anos, apenas um culto por domingo, já ouviu cerca de 780 sermões. Imagine o poder transformador de tanta pregação, por tanto tempo, na vida de milhões de pessoas. Entretanto, por que um avivamento não acontece? Por que os evangélicos não aniquilam a corrupção em lugar de serem aniquilados por ela?
É impossível deixar de fazer uma comparação. Por que Jonas, Pedro, Paulo, Spurgeon e Moody pregaram com mais dificuldade do que nós e causaram efeitos "devastadores"? Por que não vemos quase nada parecido a isto hoje?
Talvez a resposta esteja num "pedido" aos pastores: Parem de pregar!

1) Parem de pregar sermões onde não há alegria e são pregados por causa da obrigação com o emprego e porque estão sendo pagos pela igreja;
2) Parem de pregar sem antes estudar a Bíblia para aplicar em suas próprias vidas;
3) Parem de pregar sem antes dedicar dez a quinze horas de oração e mergulho no texto bíblico sobre o qual falarão;
4) Parem de pregar sermões prontos do seu bispo ou apóstolo, sem coração, paixão ou emoção;
5) Parem de pregar sermões copiados da internet, sem vida e sem experiência pessoal;
6) Parem de pregar suas ideias pessoais, justificadas com alguns versículos bíblicos;
7) Parem de pregar regras para as pessoas viverem, que vocês nunca viveram. E a lista poderia ir embora...
Preguem a Palavra, poderosa, penetrante, transformadora e verdadeira.
Deixo um desafio que recebi há cerca de 30 anos, quando estudei pregação expositiva com um homem chamado Karl Lachler. Depois que ele nos explicou o poder da pregação da Bíblia – primeiro para a minha vida e depois como uma ferramenta que o Espírito Santo usa para alcançar outros –, a única coisa que consegui fazer naquele dia foi: me quebrantar, chorar, orar, chegar a minha casa e jogar fora todos os sermões que tinha, pedir perdão a Deus e começar tudo de novo. Nunca mais um sermão foi igual.
O apelo naquele dia foi: Parem de pregar na sua própria força ou sabedoria, mas deixem-se usar pelo Espírito, e o que Deus falar através de você incendiará o mundo. Talvez seja hora de parar de pregar do jeito que você está pregando e experimentar algo novo.

Pastores, parem de pregar - Josué Campanhã é escritor, palestrante, consultor e pregador