“ "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." - Martin Luther King
sábado, 6 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Bronca Geral - Comentário de leitor no blog do Cláudio Humberto
Forças Armadas do Egito
O presidente do Egito, eleito "democraticamente" foi deposto por um golpe militar, apoiado por grande parte da população. Isto me lembra algo semelhante em 1964. O chefe da Suprema Corte Constitucional de lá, equivalente ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, assumirá neste período de transição. O presidente egípcio não "atendeu às demandas da população". Parabéns às Forças Armadas. Lembro-me também, que Fernando Collor foi eleito democraticamente e foi defenestrado sem choro e sem vela, pelo Congresso. Esse papo de "democracia" é pura engabelação. Trabalhou mal, roubou, permitiu roubar, locupletou-se, fora e cadeia! Acorda, Brasil.
Taguatinga - DF
Fonte: http://www.claudiohumberto.com.br/principal/index.php#
quarta-feira, 3 de julho de 2013
As passeatas dos empulhadores - ou ("Um Governo perdido" - por Bo@noia)
- Por Elio Gaspari, O Globo
Desde que o monstro foi para a rua, o andar de cima virou urubu que voa de costas. Em poucas semanas, aprontou o seguinte:
1) A doutora Dilma reuniu o Ministério e propôs “Cinco Pactos”. Quais? Ninguém lembra. A quem? Ninguém sabe.
2) Em seguida defendeu uma Constituinte exclusiva, ideia que durou 24 horas, porque ninguém sabia o que era.
3) Agora quer um plebiscito para orientar uma reforma política na qual o PT quer arrancar o financiamento público das campanhas (sendo seu maior beneficiário) e, se der, algum voto de lista.
4) O governador Geraldo Alckmin, cuja Polícia Militar acendeu o pavio da explosão da rua. (Argumente-se que ele não a controla como devia, mas esse é um problema do doutor.) Dias depois suspendeu o aumento de 6,5% dos pedágios nas rodovias paulistas, previsto para o início deste mês.
5) O Senado poderá aprovar hoje um projeto que dá transporte gratuito a estudantes.
6) Finalmente, o prefeito Fernando Haddad propôs um conjunto de medidas e tirou da manga o surrado aumento de impostos sobre bens supérfluos.
Tudo marquetagem.
Suspender aumento de pedágio pode até ser uma providência saudável, mas resulta num estímulo ao transporte individual. O problema está noutro lugar, nas relações promíscuas dos estados com a privataria que atende pedidos de governadores e prefeitos para fazer obras, retarda serviços e vai buscar no escurinho das agências a prorrogação de seus contratos.
Assim acontece em São Paulo, assim sucedeu no Rio, onde prorrogou-se o contrato do metrô e das barcas Rio-Niterói antes da venda das concessões.
A compensação para os empresários de São Paulo virá da redução do valor que são obrigados a remeter à agência reguladora (ferro na Viúva) e do desconto no que é devido por atraso de obras (ferro na Viúva, de novo).
O passe livre oferecerá transporte gratuito a todos os estudantes, inclusive àqueles que não precisam. Tem dia em que o chofer está de folga ou a mamãe foi para Miami. Como resolver isso? Ganha o passe quem pedir, pela internet, indo buscar a carteirinha duas vezes por ano num posto do governo.
Se o pessoal do Bolsa Família é obrigado a pedir, por que a Bolsa Passe Livre deve ser automática, sujeita a conhecidas fraudes? Durante o New Deal, Franklin Roosevelt não deu moleza a quem disse que precisava de ajuda. Só a recebia quem pedia e ralava para coletá-la.
Sempre que um governo não sabe o que fazer defende mais impostos sobre bens supérfluos. O PT manda em Brasília desde 2003, passou a voar nos jatinhos amigos, aninhou-se na rede de interesses da plutocracia e cobra IPVA de quem tem carro velho (produto supérfluo), mas nada pede a quem tem helicóptero (um bem essencial).
O que a rua quer é menos empulhação dos sábios de planilhas que confiaram nos mecanismos de persuasão da polícia e dos pensadores. O que a doutora Dilma, governadores e prefeitos estão oferecendo é pouco mais que uma marquetagem destinada a embaralhar o debate.
Inverte-se um velho slogan que dizia: “Peça o impossível.” Noves fora o passe livre, a rua pede o possível: menos roubalheira e mais contas abertas. Os palácios estão oferecendo o impossível.
Elio Gaspari é jornalista
terça-feira, 2 de julho de 2013
Subiu no telhado
-Por Merval Pereira – O Globo.com
Além da tentativa
tosca de se apropriar da recente popularidade da seleção brasileira afirmando
que seu governo “é padrão Felipão”, mesmo que não tenha ido ao Maracanã com
receio das vaias, a presidente Dilma continua sem anunciar medida concreta que
dependa diretamente do Executivo para mostrar que compreendeu os anseios das
ruas.
Só a reunião de seu megaministério ontem no Palácio
do Planalto dá a exata noção da burocracia paquidérmica de um governo
paralisado, inoperante. A ideia de realizar um plebiscito para definir reformas
no nosso sistema partidário e eleitoral a ponto de alterar as regras do jogo já
na eleição de 2014, que parecia um grande lance político, começou a subir no
telhado ontem, com uma série de movimentos da própria área governista.
A presidente Dilma, autora da proposta, sublinhou
ontem que fizera apenas “uma sugestão”, pois quem deve definir a essência do
plebiscito e sua viabilidade são o Congresso e o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE). A mensagem que o Palácio do Planalto enviará hoje ao Congresso não
conterá perguntas, mas “sugestões de assuntos e temas”. Entre esses, Dilma
citou o tipo de financiamento em campanha eleitoral e o sistema eleitoral.
Ao mesmo tempo, o PSB do governador Eduardo Campos
sugeriu que o plebiscito seja adiado para outubro do ano que vem, para se
realizar juntamente com as eleições, o que parece mais razoável pelo menos em
termos de organização e logística de uma consulta popular. O problema, porém,
continua do mesmo tamanho, pois a complexidade da reforma política não cabe em
um plebiscito, nem parece ser o melhor instrumento para conseguir a
participação popular fazer com que o povo substitua seus representantes de
maneira direta, em questões complexas como essa.
O referendo seria mais razoável, se se quer legitimar
a reforma política a ser aprovada pelo Congresso, mas o mais importante mesmo é
que deputados e senadores se sintam pressionados pelas ruas para se
reinventarem como representantes do eleitorado.
A ideia da Constituinte exclusiva, que acabou sendo
abandonada e substituída pelo plebiscito, parece ter sido uma tentativa mal
sucedida de emparedar um Congresso que se ressente de apoio popular e levar
adiante uma tentativa de alterar o jogo eleitoral para obter através do sistema
de lista fechada uma representação partidária que dê ao PT e a seus aliados à
esquerda uma hegemonia no Congresso.
O plebiscito foi o que restou para dar início a uma
democracia direta em que o partido no governo pode manipular as consultas até
conseguir alterar o equilíbrio entre os poderes. Provavelmente o recuo do
governo também em relação ao plebiscito deve-se à percepção dos demais
partidos, inclusive os da base governista, de que o PT manobra para ter a
hegemonia do financiamento público de campanha, que vem acoplado à proposta das
listas fechadas. O PMDB é dos partidos que mais bombardeiam o plebiscito.
A presidente Dilma, por seu lado, tem contra si
dentro do PT o movimento para a volta de Lula, que agrada bastante à maioria da
base aliada e até mesmo ao PSB, cujo presidente Eduardo Campos não se
apresentaria como candidato nessa hipótese.
As dificuldades técnicas para a realização do
plebiscito serão analisadas hoje na reunião da Ministra Carmem Lucia,
presidente do TSE, com os presidentes dos TREs, e talvez a solução para o
impasse esteja mesmo na avaliação técnica da questão, sem viés político. A
pressão das ruas não pode justificar nem medidas que coloquem em risco as
finanças do país nem decisões inviáveis.
Até hoje os plebiscitos realizados no país tiveram
pelo menos seis meses para a sua realização, mesmo quando se referiam a apenas
um estado, e o referendo sobre desarmamento levou três meses e meio entre a
convocação e sua realização
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Nosso paradoxo e a necessidade da democracia - por John Stott
O paradoxo (ou a ambiguidade) humano faz da democracia a melhor forma de governo jamais desenvolvida, pois, idealmente, a democracia reconhece tanto a dignidade como a depravação do ser humano.
Por um lado, ela reconhece nossa dignidade humana, pois se recusa a impor as pessoas que nos governarão sem o nosso consentimento. Ela nos deixa participar do processo de tomada de decisão. Ela nos trata com respeito, como adultos responsáveis.
Por outro lado, a democracia reconhece também a nossa depravação humana, quando se recusa a concentrar poder nas mãos de poucos, uma vez que isso não é seguro. Assim, faz parte da essência da democracia dividir o poder e proteger os governantes de si mesmos. Como Reinhold Niebuhr afirma, “a capacidade do homem para praticar a justiça torna a democracia possível; mas a inclinação do homem para a injustiça torna a democracia necessária”.1
John Stott. Por Que Sou Cristão, p 84.
Nota:1. NIEBUHR, Reinhold. The Children of Light and the Children of Darkness; A Vindication of Democracy and a Critique of its Traditional Defenders. Nisbet, 1945. p. vi.
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