“ "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." - Martin Luther King
quarta-feira, 8 de julho de 2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
Uma mente confusa – Por Merval Pereira
Mas quando o
pensamento equivocado é também embaralhado, aí já se torna um problema
político-institucional. Se a presidente diz que não respeita delatores, ela
está partindo do princípio de que o presidente da UTC Ricardo Pessoa, e outros
executivos que fizeram suas delações premiadas, estão revelando fatos
verdadeiros que deveriam ser escondidos.
Sim, por que só
pessoas que estão por dentro das conspirações ou das bandidagens podem delatar
seus companheiros em troca de algum benefício da Justiça. Foi, aliás, para
evitar que as revelações sobre crimes fossem desqualificadas pelos interessados
que o que chamamos popularmente de “delação premiada” tem o nome oficial de
“colaboração premiada”.
Mas, de qualquer
maneira, a presidente Dilma tratou de jogar sobre Ricardo Pessoa a pecha de
traidor, comparando-o a Joaquim Silvério dos Reis, o que a deixa mal e a todos
os denunciados pelo empreiteiro. E ela não percebe essa incongruência, o que
faz com que prossiga em linha reta para o abismo sem que ninguém possa
ajudá-la, já que, sabe-se, ela não admite contestações.
“Eu não respeito
delator, até porque estive presa na ditadura militar e sei o que é. Tentaram me
transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas, e
garanto para vocês que resisti bravamente. Até, em alguns momentos, fui mal
interpretada quando disse que, em tortura, a gente tem que resistir, porque se
não você entrega seus presos.”
Nessa frase, temos
de tudo: uma confusão entre seu papel como guerrilheira, e o dos petistas que
se meteram no mensalão e no petrolão; uma ignorância assombrosa da diferença
entre democracia e ditadura e, sobretudo, a insensatez de comparar os
inconfidentes mineiros com os mensaleiros e petroleiros, que podem ser tudo,
menos patriotas heróicos em luta contra uma opressão estrangeira.
Não há Tiradentes
nessa história que a presidente Dilma tenta recontar, e nem ela foi uma
lutadora pela democracia, como pretende hoje. A tortura de que ela e muitos
outros foram vítimas é uma página terrível de nossa história, mas não pode
servir de desculpa para justificar meros roubos de uma quadrilha que tomou de
assalto o país nos últimos 12 anos, nem para isentar os eventuais desvios
cometidos pela presidente.
Ao contrário,
aliás, muitos fazem hoje a comparação da sanha arrecadatória do governo federal
com os “quintos do inferno” que a colônia portuguesa tirava do Brasil. Quanto à
insinuação de que os presos hoje pela Operação Lava-Jato sofrem torturas como
no tempo da ditadura, só mesmo a politização da roubalheira justifica tamanho
despautério.
A propósito, o
jurista Fabio Medina Osório, especialista em questões de combate à corrupção e
improbidade administrativa, Doutor em Direito Administrativo pela Universidade
Complutense de Madri e Presidente do Instituto Internacional de Estudos de
Direito do Estado (IIEDE), “olhando o direito comparado e o que ocorre hoje no
mundo em termos de combate à corrupção”, discorda dos que consideram abusivas
as prisões preventivas decretadas pelo juiz Sérgio Moro.
“Não apenas nos
EUA, mas na Europa, as prisões cautelares têm sido utilizadas no início de
processos ou quando investigações assinalam elementos robustos de provas”,
ressalta, lembrando os casos do ex premier de Portugal, José Sócrates, e os
dirigentes da FIFA, presos cautelarmente por corrupção - e alguns em avançada
idade - seguem encarcerados.
“A ideia não é
humilhar ninguém, mas, diante do poder econômico ou político das pessoas atingidas,
estancar o curso de ações delitivas de alto impacto nos direitos humanos, tal
como ocorre no combate à corrupção.
Medina Osório
lembra que “nos termos da Lei Anticorrupção, as empresas deveriam ter aberto
robustas investigações para punir culpados e cooperar com autoridades, talvez
até mesmo afastando os executivos citados nas operações, se constatadas provas
concretas ou indiciárias de suas participações em atos ilícitos”.
Ao não cooperar
nem apurar os atos ilícitos noticiados, “as empresas sinalizam que estão ainda
instrumentalizadas por personagens apontados pela Operação Lava Jato como os
possíveis responsáveis”.
Para Medina
Osório, vale indagar: o que é realmente novo aqui no Brasil? “Prisões
democráticas, onde cabem ricos e pobres, convenhamos”.
- Merval Pereira é colunista do GLOBO e
comentarista da CBN e da Globo News. É membro da Academia Brasileira de Letras
e da Academia Brasileira de Filosofia. Em 2009 recebeu o prêmio Maria Moors
Cabot da Universidade de Columbia de excelência jornalística, a mais importante
premiação internacional. Também é membro do Board of Visitors da John S. Knight
Fellowships da Universidade Stanford.
SUPREMA CORTE DOS ESTADOS UNIDOS APROVA O CASAMENTO GAY EM TODOS OS ESTADOS AMERICANOS - Por Rev. Leandro Lima
A
suprema corte dos Estados Unidos acabou de aprovar o casamento de pessoas do
mesmo sexo em todos os cinquenta estados americanos. A prática já era aceita na
maioria dos estados, porém, treze estados (onde há mais evangélicos
conservadores) ainda proibiam a prática. Agora, com a decisão da suprema corte,
todos os cinquenta estados americanos são obrigados a aceitar o casamento de
pessoas do mesmo sexo.

Essa
sem dúvida é uma decisão emblemática, tratando-se do país mais “evangélico” do
mundo. Se lembrarmos que há apenas dez anos, a grande maioria dos estados
americanos repudiava o casamento de pessoas do mesmo sexo, a comemoração dos
ativistas pró LGBT diante da suprema corte americana mostra que a virada de
jogo foi mesmo surpreendente.
Meu
ponto aqui não é tratar de “direitos civis”. É preciso reconhecer que, perante
a Lei, todas as pessoas têm os mesmos direitos. E que, se alguém pretende
“casar-se” com quem quer que seja, em tese, essa pessoa tem o
"direito" de fazer isso, desde que não prejudique outra pessoa no
caso. Ao mesmo tempo, e isso ainda parece ser realidade nos Estados Unidos, as
pessoas e instituições religiosas que discordam continuam tendo o direito de
discordar, e, provavelmente, as igrejas não serão obrigadas a realizarem esse
tipo de casamento tão cedo.
Porém,
o que me chama atenção nesse caso é justamente a rápida mudança no pensamento
mundial acerca desse assunto, e a consolidação disso na maior democracia cristã
do mundo. Quando a maioria da população em uma democracia é favorável a uma
prática, a tendência é que essa prática venha a ser institucionalizada. Foi o
caso aqui. E isso mostra que os poderosos ventos de mudança que começaram a
soprar mais fortemente no mundo desde o final do século 20, com a queda do muro
de Berlim por exemplo, estão se intensificando cada vez, removendo com
facilidade marcos antigos, em prol de uma unificação do paganismo na terra. A
era cristã está terminando. E, tudo isso parece ter sido minuciosamente
planejado.
Talvez
seja exatamente isso o que as pessoas estejam comemorando diante da suprema
corte americana. Um cartaz no meio da multidão dizia: “a constituição é nosso
escudo contra a Bíblia da intolerância e preconceito”. Esse é o ponto mais
crucial me parece. Aqui está o verdadeiro motivo da disputa, o qual subjaz por detrás
de todos os demais discursos.
Mas
o que, como cristãos, podemos dizer disso tudo? Reclamar e exclamar
horrorizados expressões como: “é o fim dos tempos”? Talvez seja mesmo, e nesse
caso, não deveríamos estar horrorizados, mas com a certeza indirimível de que
tudo está acontecendo como tinha que ser. Sim, a era cristã precisa terminar,
pois se ela não terminar, Jesus não voltará. O Apóstolo Paulo disse que antes
que Cristo volte “primeiro" precisa “vir" a apostasia (2Ts 2.3). E o
próprio Cristo disse que os dias que antecederiam sua volta recapitulariam dois
importantes momentos da história bíblica. Um dos exemplos evocados por Cristo
foi justamente os “dias de Noé”, quando as pessoas “comiam, bebiam, casavam e
davam-se em casamento” (Lc 17.26-27). Questões em relação ao casamento,
portanto, estariam no centro da agenda do mundo mais uma vez, antes da volta de
Cristo. Em Gênesis 6 temos a descrição de padrões de casamento inaceitáveis por
Deus, e isso resultou diretamente no dilúvio. É interessante que o arco-íris
que estaria nas nuvens como prova da aliança divina, agora esteja numa bandeira
que contraria aquilo que o próprio Deus ordenou, porém institucionalizado na
forma da lei. Mas, talvez isso faça Deus se lembrar mais uma vez… Mas, o
segundo momento evocado por Cristo é ainda mais emblemático: "O mesmo
aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e
edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre
e destruiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar”
(Lc 17.28-30). Em Sodoma e Gomorra, um dos maiores pecados, que resultou na
destruição das cidades, foi o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo!
Tudo
isso aponta para uma inquietante realidade e, ao final, para uma surpreendente
esperança. Todas as ações malignas no mundo, e que estão a todo vapor como
podemos ver, trabalhando para a implantação do paganismo como sistema, apesar
disso, estão debaixo dos desígnios daquele que anunciou o fim desde o começo.
Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito (Rm 8.28). Fica, entretanto, o alerta do
Senhor: "Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt
24.13).
Leandro Lima é escritor, teólogo e pastor
presbiteriano da Igreja Presbiteriana Santo Amaro – São Paulo/SP
-Fonte: http://www.pulpitocristao.com/2015/06/suprema-corte-dos-estados-unidos-aprova.html
terça-feira, 16 de junho de 2015
terça-feira, 26 de maio de 2015
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