"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." - Martin Luther King

terça-feira, 9 de julho de 2013

Doutora Juliana - (ou segundo o Bo@noia, - Em quem você acredita ?)

- J. R. GUZZO - REVISTA VEJA

Há médicos e médicos. Uns trabalham todos os dias para salvar a vida de outras pessoas. Sabem que, ao final, vão perder, mas voltam ao combate após cada derrota. Convivem diariamente com a morte e, em muitos casos, derramam lágrimas amargas, em algum lugar onde não possam ser vistos, quando um cliente se vai. Essa é a cruz que carregam em sua vida. É. também, a sua honra. Outros têm o mesmo diploma, mas não são a mesma coisa. Suas relações com os pacientes mantêm-se impessoais e, como acontece em tantas outras profissões, seu objetivo prioritário é ganhar dinheiro. Praticam atos duvidosos de autopromoção e dedicam boa pane de seus esforços a atividades de relações públicas. Para alguns, o grande sonho profissional é aparecer na Ilha de Caras e ter atrizes da Globo ou "celebridades na lista de clientes.

Não há nada de útil que valha a pena dizer a respeito desses últimos. Mas há muito que pensar sobre os primeiros, os médicos de verdade, quando o povo vai para a rua gritar que não suporta mais. entre tantas outras barbaridades, os crimes diários que são cometidos pelo governo nos serviços públicos de saúde. Os marqueteiros do Palácio do Planalto não fizeram nenhuma pesquisa para saber quantos deles, nestes dias de revolta, estão fervendo com a mesma indignação que foi para a praça pública; acham que é uma "catarse emocional". Mas o fato é que dezenas de milhares de médicos em todo o Brasil estão fartos de aguentar calados a prodigiosa incompetência, a mentira em massa e a vadiagem dos responsáveis pela saúde pública brasileira — além de uma ladroagem sem fim na qual se roubam verbas, ambulâncias, sangue e tudo o mais que pode ser rapado pelos amigos do PT e da "base aliada"". O leitor é convidado, aqui, a ouvir uma dessas vozes. É puro TNT. Vamos ver, então, o que a presidente Dilma acha dessa "catarse", ou se quer propor um "plebiscito" à doutora Juliana Mynssen da Fonseca Cardoso, cirurgiã-geral no Hospital Estadual Azevedo Lima. no Rio de Janeiro. É ela a autora do relato abaixo, publicado na internet com o seguinte título:

"O dia em que a "presidenta" Dilma em 10 minutos cuspiu no rosto de 370 000 médicos brasileiros".

"Há alguns meses eu fiz um plantão em que chorei. (...) Eu, que carrego no carro o manual da equipe militar que atendia "na guerra do" Afeganistão, chorei. (...) Na frente da sala de sutura tinha um paciente idoso internado. Numa cadeira. Com o soro pendurado num prego similar aos que pregamos samambaias. Ao seu lado, seu filho. (.-*) Seu pai estava há mais de um dia na cadeira. Ia desmaiar. Tudo o que o rapaz queria era uma maca. Não um quarto, nem um leito; só uma maca. Teve um momento em que ele desmoronou. Se ajoelhou no chão, começou a chorar, olhou para mim e disse: "Não é para mim. É para o meu pai". Saí. chorei, briguei e o coloquei numa maca na ala feminina. (...) Nestes últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias, brigamos por um país melhor. (...) Não tenho palavras para descrever o que penso da "presidenta" Dilma. (Uma figura que se proclama "presidenta"já não merece a minha atenção.) Mas hoje, por mim, por você. pelo meu paciente da cadeira, eu a ouvi. (Ela) disse que importará médicos para melhorar a saúde do Brasil... Melhorar a qualidade? Sra. "presidenta", eu sou uma médica de qualidade. (...) O médico brasileiro é de qualidade. Os seus hospitais é que não são. O seu SUS é que não tem qualidade. O seu governo é que não tem qualidade. O dia em que a sra. "presidenta* abrir uma ficha numa UPA for internada num hospital estadual, pegar um remédio numa fila do SUS e falar que isso é de qualidade, aí conversaremos. Não cuspa na minha cara. Não pise no — meu diploma. Não me culpe da sua incompetência."


E aí, presidente Dilma — gostou? E aí ex-presidente Lula (que diz ter criado no Brasil "um dos melhores serviços de saúde do mundo", mas se trata no Sírio-Libanês de São Paulo), gostou? Se não gostaram, deveriam ter a coragem de ir para a televisão e debater esses fatos com a doutora Juliana, na frente de todo mundo. Se não toparem, passam um atestado público de covardia. Podemos esperar sentados. Dilma teve medo até de ir ao Maracanã, numa final disputada pela equipe do país que preside. Lula fugiu para a Etiópia. Nem sequer vão ler a história acima, pois não vão gostar, e tudo aquilo de que não gostam está automaticamente errado. Acham que se trata de sentimentalismo barato, ou choro de classe média alta. ou algo assim. E o leitor, em quem acredita? Em Dilma, em Lula ou na doutora Juliana?
Fonte: Revista Veja, Ed 2329 - ano 46 - nº 28 - 10 de julho de 2013. 

domingo, 7 de julho de 2013

Fera ferida, por Mary Zaidan

Desde que a inflação começou a mostrar dentes cada vez mais afiados e o incômodo grito de descontentes tomou as ruas, tornou-se praticamente impossível manter os disfarces que encobriam o autoritarismo e a soberba da presidente Dilma Rousseff.

Se mesmo em tempos de popularidade recorde, de Brasil grande, de massas manobradas, já era difícil aturar a fera, agora aliados e o próprio PT já não escondem o desalento nem a ira. Nessa ordem, ou vice-versa. Até o padrinho Lula sumiu.
Lançada à sua própria sorte e sem vislumbrar qualquer chama tênue capaz de clarear o fim do túnel, Dilma tem se superado na brabeza. Na quinta-feira, ao sentir seu poder de mando ameaçado, sua fúria foi tamanha que ela obrigou o vice Michel Temer e o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo a desdizerem o dito óbvio, feito horas antes, sobre a inviabilidade de se realizar às pressas um plebiscito e uma reforma política válida para as eleições de 2014.
A emenda se mostrou pior que o soneto. Assim como o remendo para consertar a equivocada Constituinte exclusiva que a presidente lançara, o pito só fez desafinar ainda mais uma orquestra que ela jamais conseguiu reger; que a engoliu, mas nunca gostou da sua batuta.
Quando fecha os olhos, Dilma deve sonhar com um batalhão de Guidos Mantegas a lhe sussurrar cantigas de roda enquanto o funk pega firme lá fora.
 
Dilma Rousseff, Presidente do Brasil e Guido Mantega, Ministro da Fazenda

Mantega, o ministro da Fazenda do país imaginário, que no seu faz-de-conta insiste em dizer que o Brasil vai crescer 3%, a inflação não escapará da meta e as contas públicas estão equilibradas. Que, mesmo vendo o IPCA bater em 6,7%, comemora, como criança que ganhou um doce, a inflação quase zero dos alimentos. Que anuncia a suspensão parcial da desoneração para a linha branca poucos dias depois de a presidente dar crédito para os beneficiários do Minha casa, minha vida na compra de geladeira, fogão e máquina de lavar. Que não tem pudor em dizer que impostos podem subir.
Como se vê, não é só por teimosia que Dilma quer Mantega. Ele a afaga.
Também não se pode dizer que é teimosia da presidente a insistência no plebiscito. Bem ou mal, o tema lhe é bastante útil – senão o único – para tergiversar, para tentar escapar do centro do furacão.
Seguindo o script da marquetagem, Dilma diz ter ouvido a voz das ruas, que crê na “inteligência do povo brasileiro”; que “não é daqueles que não acredita que o povo é incapaz de entender [o plebiscito] porque as perguntas são complicadas”.
Se algum faro tivesse, saberia que as ruas continuam lhe dizendo o inverso. Complicadas, Dilma, não são as perguntas, mas as respostas que o governo insiste em dar.

Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa'

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Bronca Geral - Comentário de leitor no blog do Cláudio Humberto

Bronca Geral
03/07/2013 | 20:00 
Forças Armadas do Egito

O presidente do Egito, eleito "democraticamente" foi deposto por um golpe militar, apoiado por grande parte da população. Isto me lembra algo semelhante em 1964. O chefe da Suprema Corte Constitucional de lá, equivalente ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, assumirá neste período de transição. O presidente egípcio não "atendeu às demandas da população". Parabéns às Forças Armadas. Lembro-me também, que Fernando Collor foi eleito democraticamente e foi defenestrado sem choro e sem vela, pelo Congresso. Esse papo de "democracia" é pura engabelação. Trabalhou mal, roubou, permitiu roubar, locupletou-se, fora e cadeia! Acorda, Brasil.

José Fernandes Neto 
Taguatinga - DF



Fonte: http://www.claudiohumberto.com.br/principal/index.php#

quarta-feira, 3 de julho de 2013

As passeatas dos empulhadores - ou ("Um Governo perdido" - por Bo@noia)

- Por Elio Gaspari, O Globo
Desde que o monstro foi para a rua, o andar de cima virou urubu que voa de costas. Em poucas semanas, aprontou o seguinte:
1) A doutora Dilma reuniu o Ministério e propôs “Cinco Pactos”. Quais? Ninguém lembra. A quem? Ninguém sabe.
2) Em seguida defendeu uma Constituinte exclusiva, ideia que durou 24 horas, porque ninguém sabia o que era.
3) Agora quer um plebiscito para orientar uma reforma política na qual o PT quer arrancar o financiamento público das campanhas (sendo seu maior beneficiário) e, se der, algum voto de lista.
4) O governador Geraldo Alckmin, cuja Polícia Militar acendeu o pavio da explosão da rua. (Argumente-se que ele não a controla como devia, mas esse é um problema do doutor.) Dias depois suspendeu o aumento de 6,5% dos pedágios nas rodovias paulistas, previsto para o início deste mês.
5) O Senado poderá aprovar hoje um projeto que dá transporte gratuito a estudantes.
6) Finalmente, o prefeito Fernando Haddad propôs um conjunto de medidas e tirou da manga o surrado aumento de impostos sobre bens supérfluos.
Tudo marquetagem.
Suspender aumento de pedágio pode até ser uma providência saudável, mas resulta num estímulo ao transporte individual. O problema está noutro lugar, nas relações promíscuas dos estados com a privataria que atende pedidos de governadores e prefeitos para fazer obras, retarda serviços e vai buscar no escurinho das agências a prorrogação de seus contratos.
Assim acontece em São Paulo, assim sucedeu no Rio, onde prorrogou-se o contrato do metrô e das barcas Rio-Niterói antes da venda das concessões.
A compensação para os empresários de São Paulo virá da redução do valor que são obrigados a remeter à agência reguladora (ferro na Viúva) e do desconto no que é devido por atraso de obras (ferro na Viúva, de novo).
O passe livre oferecerá transporte gratuito a todos os estudantes, inclusive àqueles que não precisam. Tem dia em que o chofer está de folga ou a mamãe foi para Miami. Como resolver isso? Ganha o passe quem pedir, pela internet, indo buscar a carteirinha duas vezes por ano num posto do governo.
Se o pessoal do Bolsa Família é obrigado a pedir, por que a Bolsa Passe Livre deve ser automática, sujeita a conhecidas fraudes? Durante o New Deal, Franklin Roosevelt não deu moleza a quem disse que precisava de ajuda. Só a recebia quem pedia e ralava para coletá-la.
Sempre que um governo não sabe o que fazer defende mais impostos sobre bens supérfluos. O PT manda em Brasília desde 2003, passou a voar nos jatinhos amigos, aninhou-se na rede de interesses da plutocracia e cobra IPVA de quem tem carro velho (produto supérfluo), mas nada pede a quem tem helicóptero (um bem essencial).
O que a rua quer é menos empulhação dos sábios de planilhas que confiaram nos mecanismos de persuasão da polícia e dos pensadores. O que a doutora Dilma, governadores e prefeitos estão oferecendo é pouco mais que uma marquetagem destinada a embaralhar o debate.
Inverte-se um velho slogan que dizia: “Peça o impossível.” Noves fora o passe livre, a rua pede o possível: menos roubalheira e mais contas abertas. Os palácios estão oferecendo o impossível.
 Elio Gaspari é jornalista