“ "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." - Martin Luther King
terça-feira, 4 de junho de 2013
Joaquim Barbosa, se concorrer, pode vencer (Eleição para Presidente do Brasil)
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Por Pedro Luiz Rodrigues
| Fotomontagem que rola nas Redes Sociais |
Ontem, no almoço habitual das segundas-feiras, no
Entrecôte, na 305 Sul, Brasília, o cientista político João Paulo Peixoto
lançou-nos, aos demais comensais, antes da sobremesa, de supetão, a síntese de
suas reflexões mais recentes sobre as perspectivas eleitorais para 2014: “se o
Joaquim Barbosa (presidente do STF) resolver disputar, não tenho dúvidas,
poderá sair vitorioso”.
Consultor de marketing político, o jornalista
Amauri Teixeira afirma que um nome novo e de posse da bandeira ética, caso do
ministro Joaquim Barbosa, pode tocar o eleitor e ter um desempenho eleitoral
surpreendente. Ele alerta, contudo, que para se fazer uma “aposta”
consistente, seria indispensável um estudo detalhado do cenário eleitoral e da
percepção do eleitor sobre a imagem do presidente do STF. Segundo Teixeira, a
incerteza sobre o cenário econômico, o imbróglio político e a inclusão de novos
temas, como o casamento entre homossexuais não permitem que se possa ter,
ainda, uma visão clara da agenda eleitoral, em 2014. Isso dificultaria uma
avaliação antecipada das chances de Joaquim Barbosa.
Mencionei, de minha parte, os longos anos de
amizade com o Ministro Joaquim. Manifestei minha admiração por suas qualidades
e observei que sua ríspida impaciência com desvios de conduta e manifestações
de falta de espírito republicano – praticas comuns na estrutura do poder
nacional – transformariam num verdadeiro desafio a arte de governar. Além do
mais, disse, nunca ouvira do Presidente do STF qualquer insinuação de que
tivesse a intenção de disputar eleições.
Mas o debate deve ser livre no meio acadêmico
e entre jornalistas. Avançando em sua reflexão, o professor João Paulo
(pesquisador associado do Centro de Estudos Avançados de Governo e
Administração Pública da UnB) lembrou que no Brasil moderno, a Presidência da
República já foi ocupada por políticos, generais, um intelectual, um operário e
atualmente foi conquistada por uma mulher, economista. Governantes de
diferentes ideologias, classes sociais, estamentos profissionais e gênero.
Por outro lado, observou, em 1985 assistimos a
transição democrática acontecer de maneira pacífica num ambiente de normalidade
política e respeito à Constituição; na mesma linha, em 2002 ocorreu uma
democrática passagem de poder de um presidente scholar para um operário líder
do partido de oposição.
- Todo esse processo se deu sem sinais
ruptura, dentro da legalidade constitucional, sem qualquer afronta ao devido
processo político. Trata-se de uma façanha que poucos sistemas políticos seriam
capazes de realizar.
Os fatos ocorridos em 1985 e 2002, além do
fato simbolicamente relevante da eleição da primeira mulher como governante
máximo do país, em 2010, indicam algumas características dominantes na nossa
sociedade: o gosto pela novidade, a flexibilidade de nossas ainda imperfeitas
instituições políticas, o apreço pela democracia, e acima de tudo um elevado
grau de tolerância – este, um quesito fundamental, aliás, para que prevaleça o
ambiente democrático.
Para o cientista político, o eleitor
brasileiro continua aberto ao novo. “Seja por uma latente descrença nos
partidos políticos tradicionais, seja por uma mobilidade social vigorosa
demonstrada pelo surgimento de uma nova classe média a exigir cada vez mais seu
legítimo espaço econômico e político, ou ainda pela evidência cada vez maior do
vigor e exposição social e política de nossa etnicidade, tão cara a Gilberto
Freire”.
Nesse cenário, uma questão que se coloca
desde já para as eleições de 2014 se refere à manutenção ou não dessas
condições sociais e políticas. E como elas influenciarão o voto nas próximas
eleições presidenciais.
- Os eleitores quererão alguém alinhado com o
atual status quo político ou penderão, mais uma vez, para o lado da candidatura
que represente a novidade, e a nova sociedade que está se formando? Um
candidato que represente o inconformismo com a maneira como as nossas
instituições públicas vem funcionando, ou aquele que possa significar mais do
mesmo? Economia à parte – pois o atual modelo veio para ficar – qual será a
preferência?
Trocando em miúdos, na opinião do professor
João Paulo Peixoto, a escolha popular poderá ser por um democrata inconformado,
que represente efetivamente este desejo de mudança expressado além da retórica
eleitoral.
Por isso e por tudo mais, chegamos à boa
pergunta sobre se não terá chegado o momento de os brasileiros escolherem para
Presidente da República um cidadão cuja retidão de caráter, cuja seriedade e
cuja trajetória de menino pobre à presidência do STF – trilhada com muito
esforço e sacrifício próprios, sem facilidades ou atalhos – transformam-no
inevitavelmente num modelo?
Nesse contexto, o fato de o Ministro Joaquim
Barbosa ser negro, transformaria sua eventual vitória eleitoral no símbolo da
vitória do magnífico esforço da sociedade brasileira de, em pouco mais de uma
geração, tentar acabar definitivamente com o malévolo sentimento do preconceito
racial.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
TER OU NÃO TER NAMORADO, EIS A QUESTÃO (Admirar um bom poema também é ter Bo@noia)
- Dedicado à minha amada, e a todos os namorados - (Bo@noia) -
- Poema de Artur da Távola
Namorado não
precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se
chega do lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A
proteção não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de
compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem
namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não
sabe o gosto de namorar... Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um
envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem
namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai,
sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem
carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa, é quem ama
sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade.
Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou
impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de
carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e
entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico
Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia
rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô,
bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado
quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e
horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria
pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e
a do amado e sai pelos parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton
Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da metro. Não tem
namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não
recorta artigos, quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar. Não tem
namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana,
na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem
namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de
obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem
namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado
quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se
você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive
pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de
chita e passeie de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com
margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma
escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio
jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de
sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos
de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu
descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer
frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem
namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a
vida, para de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.
sábado, 1 de junho de 2013
Subjugar a Justiça é matar a democracia (Editorial) O Globo - por Ricardo Noblat
É o autoritarismo em marcha acelerada para obter a
hegemonia sobre o país, em detrimento das liberdades de expressão e de
imprensa, dos direitos e garantias individuais.
O Congresso argentino, de maioria kirchnerista,
aprovou seis projetos de lei do governo que “reformam” a Justiça. Um deles
amplia de 13 para 19 o número de integrantes do Conselho da Magistratura,
encarregado de designar juízes e fiscalizar sua atuação.
Os novos juízes serão escolhidos pelo voto popular,
nas mesmas listas de candidatos a deputados e senadores. As decisões serão
contaminadas pelo viés político e sempre favorecerão o governo, por óbvio.
Outro projeto estabelece um limite de seis meses
para a vigência de liminares judiciais, também com endereço certo e imediato—
vergar o Grupo Clarín na disputa que trava com o governo sobre a Lei de Meios,
outro instrumento de controle criado pela Casa Rosada, este voltado para a
mídia audiovisual (TVs, rádio, etc.).
Uma liminar tem impedido o desmantelamento do
Clarín, que seria obrigado a vender uma parte importante de seus meios de
comunicação. É punição por ter se mantido independente e, como tal, crítico do
governo K, quando necessário.
O governo argentino apenas segue a cartilha
chavista na aplicação do “kit bolivariano”, que consiste em usar as
instituições democráticas para desossar a democracia. Foi assim com Hugo
Chávez, que também ampliou o número de juízes para nomeá-los e, assim,
controlá-los. Exemplo disso deu o Tribunal Supremo da Venezuela, quando, após a
morte de Chávez, atropelou a Constituição e passou o poder diretamente ao
sucessor designado, Nicolás Maduro, até a realização de eleições. Na Bolívia e
no Equador, governos bolivarianos seguem o mesmo padrão de controle do
Judiciário.
Felizmente, o Brasil destoa nesse quadro de
involução institucional. O trabalho do Supremo Tribunal Federal no caso do
mensalão foi o melhor exemplo de que as instituições funcionam segundo os pesos
e contrapesos da democracia.
A mais alta Corte julgou, com vigoroso e técnico
debate público, garantido amplo direito de defesa, importantes figuras do campo
político no poder e cercanias. Condenou-se quando necessário, sem que isso
representasse ameaça à estabilidade institucional. Ao contrário.
Esse é um dos fatores que garantem a segurança
jurídica do país para, por exemplo, investidores nacionais e estrangeiros,
alérgicos a aplicar seu dinheiro onde as regras do jogo mudam de um dia para o
outro.
A esses investimentos está associada, na maior
parte dos casos, a criação de riquezas, empregos e o progresso do país. No afã
de controlar tudo, governos bolivarianos acabam tendo que administrar a
escassez.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
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