"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." - Martin Luther King

terça-feira, 4 de junho de 2013

PT - INIMIGO DO EXÉRCITO - Por Alexandre Garcia

- Leia mais em www.boanoia.blogspot.com -

Joaquim Barbosa, se concorrer, pode vencer (Eleição para Presidente do Brasil)

- Por Pedro Luiz Rodrigues
Fotomontagem que rola nas
Redes Sociais
Ontem, no almoço habitual das segundas-feiras, no Entrecôte, na 305 Sul, Brasília, o cientista político João Paulo Peixoto lançou-nos, aos demais comensais, antes da sobremesa, de supetão, a síntese de suas reflexões mais recentes sobre as perspectivas eleitorais para 2014: “se o Joaquim Barbosa (presidente do STF) resolver disputar, não tenho dúvidas, poderá sair vitorioso”.
Consultor de marketing político, o jornalista Amauri Teixeira afirma que um nome novo e de posse da bandeira ética, caso do ministro Joaquim Barbosa, pode tocar o eleitor e ter um desempenho eleitoral surpreendente. Ele alerta, contudo, que para se  fazer uma “aposta” consistente, seria indispensável um estudo detalhado do cenário eleitoral e da percepção do eleitor sobre a imagem do presidente do STF. Segundo Teixeira, a incerteza sobre o cenário econômico, o imbróglio político e a inclusão de novos temas, como o casamento entre homossexuais não permitem que se possa ter, ainda, uma visão clara da agenda eleitoral, em 2014. Isso dificultaria uma avaliação antecipada das chances de Joaquim Barbosa.
 Mencionei, de minha parte, os longos anos de amizade com o Ministro Joaquim. Manifestei minha admiração por suas qualidades e observei que sua ríspida impaciência com desvios de conduta e manifestações de falta de espírito republicano – praticas comuns na estrutura do poder nacional – transformariam num verdadeiro desafio a arte de governar. Além do mais, disse, nunca ouvira do Presidente do STF qualquer insinuação de que tivesse a intenção de disputar eleições.
 Mas o debate deve ser livre no meio acadêmico e entre jornalistas. Avançando em sua reflexão, o professor João Paulo (pesquisador associado do Centro de Estudos Avançados de Governo e Administração Pública da UnB) lembrou que no Brasil moderno, a Presidência da República já foi ocupada por políticos, generais, um intelectual, um operário e atualmente foi conquistada por uma mulher, economista. Governantes de diferentes ideologias, classes sociais, estamentos profissionais e gênero.
Por outro lado, observou, em 1985 assistimos a transição democrática acontecer de maneira pacífica num ambiente de normalidade política e respeito à Constituição; na mesma linha, em 2002 ocorreu uma democrática passagem de poder de um presidente scholar para um operário líder do partido de oposição.
 - Todo esse processo se deu sem sinais ruptura, dentro da legalidade constitucional, sem qualquer afronta ao devido processo político. Trata-se de uma façanha que poucos sistemas políticos seriam capazes de realizar.
 Os fatos ocorridos em 1985 e 2002, além do fato simbolicamente relevante da eleição da primeira mulher como governante máximo do país, em 2010, indicam algumas características dominantes na nossa sociedade: o gosto pela novidade, a flexibilidade de nossas ainda imperfeitas instituições políticas, o apreço pela democracia, e acima de tudo um elevado grau de tolerância – este, um quesito fundamental, aliás, para que prevaleça o ambiente democrático.
 Para o cientista político, o eleitor brasileiro continua aberto ao novo. “Seja por uma latente descrença nos partidos políticos tradicionais, seja  por uma mobilidade social vigorosa demonstrada pelo surgimento de uma nova classe média a exigir cada vez mais seu legítimo espaço econômico e político, ou ainda pela evidência cada vez maior do vigor e exposição social e política de nossa etnicidade, tão cara a Gilberto Freire”.
 Nesse cenário, uma questão que se coloca desde já para as eleições de 2014 se refere à manutenção ou não dessas condições sociais e políticas. E como elas influenciarão o voto nas próximas eleições presidenciais.
 - Os eleitores quererão alguém alinhado com o atual status quo político ou penderão, mais uma vez, para o lado da candidatura que represente a novidade, e a nova sociedade que está se formando? Um candidato que represente o inconformismo com a maneira como as nossas instituições públicas vem funcionando, ou aquele que possa significar mais do mesmo? Economia à parte – pois o atual modelo veio para ficar – qual será a preferência?
 Trocando em miúdos, na opinião do professor João Paulo Peixoto, a escolha popular poderá ser por um democrata inconformado, que represente efetivamente este desejo de mudança expressado além da retórica eleitoral.
 Por isso e por tudo mais, chegamos à boa pergunta sobre se não terá chegado o momento de os brasileiros escolherem para Presidente da República um cidadão cuja retidão de caráter, cuja seriedade e cuja trajetória de menino pobre à presidência do STF – trilhada com muito esforço e sacrifício próprios, sem facilidades ou atalhos – transformam-no inevitavelmente num modelo?
 Nesse contexto, o fato de o Ministro Joaquim Barbosa ser negro, transformaria sua eventual vitória eleitoral no símbolo da vitória do magnífico esforço da sociedade brasileira de, em pouco mais de uma geração, tentar acabar definitivamente com o malévolo sentimento do preconceito racial.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

TER OU NÃO TER NAMORADO, EIS A QUESTÃO (Admirar um bom poema também é ter Bo@noia)

- Dedicado à minha amada, e a todos os namorados - (Bo@noia) -
- Poema de Artur da Távola
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remunerada de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega do lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar... Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa, é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai pelos parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida, para de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.



sábado, 1 de junho de 2013

Subjugar a Justiça é matar a democracia (Editorial) O Globo - por Ricardo Noblat

O avanço resoluto da presidente Cristina Kirchner para sufocar o Poder Judiciário argentino é mais um sinal de que seu governo segue a estratégia chavista de enfraquecer as instituições para que o Executivo tenha a última palavra.
É o autoritarismo em marcha acelerada para obter a hegemonia sobre o país, em detrimento das liberdades de expressão e de imprensa, dos direitos e garantias individuais.
O Congresso argentino, de maioria kirchnerista, aprovou seis projetos de lei do governo que “reformam” a Justiça. Um deles amplia de 13 para 19 o número de integrantes do Conselho da Magistratura, encarregado de designar juízes e fiscalizar sua atuação.
Os novos juízes serão escolhidos pelo voto popular, nas mesmas listas de candidatos a deputados e senadores. As decisões serão contaminadas pelo viés político e sempre favorecerão o governo, por óbvio.
Outro projeto estabelece um limite de seis meses para a vigência de liminares judiciais, também com endereço certo e imediato— vergar o Grupo Clarín na disputa que trava com o governo sobre a Lei de Meios, outro instrumento de controle criado pela Casa Rosada, este voltado para a mídia audiovisual (TVs, rádio, etc.).
Uma liminar tem impedido o desmantelamento do Clarín, que seria obrigado a vender uma parte importante de seus meios de comunicação. É punição por ter se mantido independente e, como tal, crítico do governo K, quando necessário.
O governo argentino apenas segue a cartilha chavista na aplicação do “kit bolivariano”, que consiste em usar as instituições democráticas para desossar a democracia. Foi assim com Hugo Chávez, que também ampliou o número de juízes para nomeá-los e, assim, controlá-los. Exemplo disso deu o Tribunal Supremo da Venezuela, quando, após a morte de Chávez, atropelou a Constituição e passou o poder diretamente ao sucessor designado, Nicolás Maduro, até a realização de eleições. Na Bolívia e no Equador, governos bolivarianos seguem o mesmo padrão de controle do Judiciário.
Felizmente, o Brasil destoa nesse quadro de involução institucional. O trabalho do Supremo Tribunal Federal no caso do mensalão foi o melhor exemplo de que as instituições funcionam segundo os pesos e contrapesos da democracia.
A mais alta Corte julgou, com vigoroso e técnico debate público, garantido amplo direito de defesa, importantes figuras do campo político no poder e cercanias. Condenou-se quando necessário, sem que isso representasse ameaça à estabilidade institucional. Ao contrário.
Esse é um dos fatores que garantem a segurança jurídica do país para, por exemplo, investidores nacionais e estrangeiros, alérgicos a aplicar seu dinheiro onde as regras do jogo mudam de um dia para o outro.
A esses investimentos está associada, na maior parte dos casos, a criação de riquezas, empregos e o progresso do país. No afã de controlar tudo, governos bolivarianos acabam tendo que administrar a escassez.