“ "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." - Martin Luther King
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
O fio da meada – Por MERVAL PEREIRA
A
partir daí o fio de uma trama inacreditável foi sendo puxado, e chegamos onde
estamos hoje, na confluência do mensalão com o petrolão, que revela um governo
montado na base da dominação do Estado brasileiro, financiado por um esquema de
corrupção tão grande que o dinheiro desviado no mensalão não dá um Barusco, na
definição do ministro do STF Gilmar Mendes, referindo-se aos quase U$ 100
milhões que o ex-gerente da Petrobras comprometeu-se a devolver aos cofres da
União.
Bem
que os petistas reclamavam de o mensalão ser chamado de “o maior escândalo de
corrupção da História do país”. Sabiam do que estavam falando. Diante de
tamanhas evidências, os petistas já desistiram de afirmar que o mensalão não
existiu, e nem se atrevem a dizer o mesmo do petrolão.
Também
já não abraçam os companheiros presos, especialmente o ex-ministro José Dirceu,
cuja prisão foi uma pá de cal na incipiente tentativa de acusar o Ministério
Público e a Polícia Federal de estarem perseguindo o PT e seu tesoureiro João
Vaccari Neto.
Os
dois são membros do aparelho político do PT e ficarão calados, como se calaram
Delubio Soares e José Genoino. Mas o partido não tem mais onde se apoiar diante
da avalanche de acusações que surgem a cada dia.
O
programa de televisão, criado pelo marqueteiro João Santana, a ser exibido na
quinta-feira dia 6, provavelmente só acirrará os ânimos, pois não há espírito
no país hoje para que se engulam as promessas vãs que esse tipo de programa
sempre exibe.
Assim
também não foi à toa que o partido decidiu não apoiar explicitamente seu antigo
presidente e líder José Dirceu, no pressuposto de que ele será fiel até o fim à
lei do silêncio mafioso, mas também sabendo que apoiá-lo só piorará a imagem do
partido, já suficientemente arranhada pelas revelações dos últimos 10 anos.
Como
estão programadas diversas manifestações contra o governo Dilma para o próximo
16 de agosto, um domingo, o PT decidiu convocar suas manifestações em datas
próximas para neutralizar os danos. A resolução do partido que renegou
simbolicamente Dirceu conclama os petistas para a Marcha das Margaridas, de 11
e 12 de agosto, para o Ato Nacional pela Educação no dia 14 de agosto e para o
Ato Nacional dos Movimentos Sociais do dia 20 de agosto.
Prevejo
que o programa de televisão e mais essas passeatas só farão acirrar os ânimos.
Esperemos que o bom-senso prevaleça entre os atordoados petistas.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
Uma mente confusa – Por Merval Pereira
Mas quando o
pensamento equivocado é também embaralhado, aí já se torna um problema
político-institucional. Se a presidente diz que não respeita delatores, ela
está partindo do princípio de que o presidente da UTC Ricardo Pessoa, e outros
executivos que fizeram suas delações premiadas, estão revelando fatos
verdadeiros que deveriam ser escondidos.
Sim, por que só
pessoas que estão por dentro das conspirações ou das bandidagens podem delatar
seus companheiros em troca de algum benefício da Justiça. Foi, aliás, para
evitar que as revelações sobre crimes fossem desqualificadas pelos interessados
que o que chamamos popularmente de “delação premiada” tem o nome oficial de
“colaboração premiada”.
Mas, de qualquer
maneira, a presidente Dilma tratou de jogar sobre Ricardo Pessoa a pecha de
traidor, comparando-o a Joaquim Silvério dos Reis, o que a deixa mal e a todos
os denunciados pelo empreiteiro. E ela não percebe essa incongruência, o que
faz com que prossiga em linha reta para o abismo sem que ninguém possa
ajudá-la, já que, sabe-se, ela não admite contestações.
“Eu não respeito
delator, até porque estive presa na ditadura militar e sei o que é. Tentaram me
transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas, e
garanto para vocês que resisti bravamente. Até, em alguns momentos, fui mal
interpretada quando disse que, em tortura, a gente tem que resistir, porque se
não você entrega seus presos.”
Nessa frase, temos
de tudo: uma confusão entre seu papel como guerrilheira, e o dos petistas que
se meteram no mensalão e no petrolão; uma ignorância assombrosa da diferença
entre democracia e ditadura e, sobretudo, a insensatez de comparar os
inconfidentes mineiros com os mensaleiros e petroleiros, que podem ser tudo,
menos patriotas heróicos em luta contra uma opressão estrangeira.
Não há Tiradentes
nessa história que a presidente Dilma tenta recontar, e nem ela foi uma
lutadora pela democracia, como pretende hoje. A tortura de que ela e muitos
outros foram vítimas é uma página terrível de nossa história, mas não pode
servir de desculpa para justificar meros roubos de uma quadrilha que tomou de
assalto o país nos últimos 12 anos, nem para isentar os eventuais desvios
cometidos pela presidente.
Ao contrário,
aliás, muitos fazem hoje a comparação da sanha arrecadatória do governo federal
com os “quintos do inferno” que a colônia portuguesa tirava do Brasil. Quanto à
insinuação de que os presos hoje pela Operação Lava-Jato sofrem torturas como
no tempo da ditadura, só mesmo a politização da roubalheira justifica tamanho
despautério.
A propósito, o
jurista Fabio Medina Osório, especialista em questões de combate à corrupção e
improbidade administrativa, Doutor em Direito Administrativo pela Universidade
Complutense de Madri e Presidente do Instituto Internacional de Estudos de
Direito do Estado (IIEDE), “olhando o direito comparado e o que ocorre hoje no
mundo em termos de combate à corrupção”, discorda dos que consideram abusivas
as prisões preventivas decretadas pelo juiz Sérgio Moro.
“Não apenas nos
EUA, mas na Europa, as prisões cautelares têm sido utilizadas no início de
processos ou quando investigações assinalam elementos robustos de provas”,
ressalta, lembrando os casos do ex premier de Portugal, José Sócrates, e os
dirigentes da FIFA, presos cautelarmente por corrupção - e alguns em avançada
idade - seguem encarcerados.
“A ideia não é
humilhar ninguém, mas, diante do poder econômico ou político das pessoas atingidas,
estancar o curso de ações delitivas de alto impacto nos direitos humanos, tal
como ocorre no combate à corrupção.
Medina Osório
lembra que “nos termos da Lei Anticorrupção, as empresas deveriam ter aberto
robustas investigações para punir culpados e cooperar com autoridades, talvez
até mesmo afastando os executivos citados nas operações, se constatadas provas
concretas ou indiciárias de suas participações em atos ilícitos”.
Ao não cooperar
nem apurar os atos ilícitos noticiados, “as empresas sinalizam que estão ainda
instrumentalizadas por personagens apontados pela Operação Lava Jato como os
possíveis responsáveis”.
Para Medina
Osório, vale indagar: o que é realmente novo aqui no Brasil? “Prisões
democráticas, onde cabem ricos e pobres, convenhamos”.
- Merval Pereira é colunista do GLOBO e
comentarista da CBN e da Globo News. É membro da Academia Brasileira de Letras
e da Academia Brasileira de Filosofia. Em 2009 recebeu o prêmio Maria Moors
Cabot da Universidade de Columbia de excelência jornalística, a mais importante
premiação internacional. Também é membro do Board of Visitors da John S. Knight
Fellowships da Universidade Stanford.
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