“ "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." - Martin Luther King
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
‘Adeus, Lula’, por Marco Antonio Villa
Artigo de MARCO ANTONIO VILLApublicado no Globo desta
terça-feira.
A presença constante no noticiário de Luís Inácio Lula da Silva impõe a
discussão sobre o papel que deveriam desempenhar os ex-presidentes. A
democracia brasileira é muito jovem. Ainda não sabemos o que fazer
institucionalmente com um ex-presidente. Dos quatros que estão vivos, somente
um não tem participação política mais ativa. O ideal seria que após o mandato
cada um fosse cuidar do seu legado. Também poderia fazer parte do Conselho da
República, que foi criado pela Constituição de 1988, mas que foi abandonado
pelos governos ─ e, por estranho que pareça, sem que ninguém reclamasse.
Exercer tão alto cargo é o ápice da carreira de qualquer brasileiro.
Continuar na arena política diminui a sua importância histórica ─ mesmo sabendo
que alguns têm estatura bem diminuta, como José Ribamar da Costa, vulgo José
Sarney, ou Fernando Collor. No caso de Lula, o que chama a atenção é que ele
não deseja simplesmente estar participando da política, o que já seria ruim.
Não. Ele quer ser o dirigente máximo, uma espécie de guia genial dos povos do
século XXI. É um misto de Moisés e Stalin, sem que tenhamos nenhum Mar Vermelho
para atravessar e muito menos vivamos sob um regime totalitário.
As reuniões nestes quase dois anos com a presidente Dilma Rousseff são,
no mínimo, constrangedoras. Lula fez questão de publicizar ao máximo todos os
encontros. É um claro sinal de interferência. E Dilma? Aceita passivamente o
jugo do seu criador. Os últimos acontecimentos envolvendo as eleições
municipais e o julgamento do mensalão reforçam a tese de que o PT criou a
presidência dupla: um, fica no Palácio do Planalto para despachar o expediente
e cuidar da máquina administrativa, funções que Dilma já desempenhava quando
era responsável pela Casa Civil; outro, permanece em São Bernardo do Campo,
onde passa os dias dedicado ao que gosta, às articulações políticas, e agindo
como se ainda estivesse no pleno gozo do cargo de presidente da República.
Lula ainda não percebeu que a presença constante no cotidiano político
está, rapidamente, desgastando o seu capital político. Até seus aliados já
estão cansados. Deve ser duro ter de achar graça das mesmas metáforas, das
piadas chulas, dos exemplos grotescos, da fala desconexa. A cada dia o seu
auditório é menor. Os comícios de São Paulo, Salvador, São Bernardo e Santo
André, somados, não reuniram mais que 6 mil pessoas. Foram demonstrações
inequívocas de que ele não mais arrebata multidões. E, em especial, o comício
de Salvador é bem ilustrativo. Foram arrebanhadas ─ como gado ─ algumas
centenas de espectadores para demonstrar apoio. Ninguém estava interessado em
ouvi-lo. A indiferença era evidente. Os “militantes” estavam com fome, queriam
comer o lanche que ganharam e receber os 25 reais de remuneração para assistir
o ato ─ uma espécie de bolsa-comício, mais uma criação do PT. Foi patético.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
A desconstrução de Lula
Nos últimos dez anos, faltou à oposição
um discurso que obtivesse ressonância social e eleitoral. A dureza com que o
STF (Supremo Tribunal Federa) vem julgando o mensalão forneceu base material
inédita ao PSDB para desgastar o PT e a sua principal liderança, Luiz Inácio
Lula da Silva.
Quando o PT assumiu o poder em 2003, o
discurso da "herança maldita" serviu com eficiência à desconstrução
do governo de Fernando Henrique Cardoso --sobretudo do segundo mandato do
tucano.
Em 2005, o mensalão afetou a popularidade
de Lula, então na Presidência. Mas o petista se recuperou e se reelegeu no ano
seguinte. A denúncia do mensalão só foi apresentada ao Supremo em 2007. De lá
pra cá, o PT combateu o mensalão dizendo que ele não existira e que havia sido
uma fracassa tentativa de golpe.
No momento, um Supremo que tem 8 de 11
ministros indicados por presidentes petistas, diz que o mensalão existiu. O
tribunal afirma que houve desvio de dinheiro público. O STF aponta fraudes em
empréstimos ao partido e a empresas de Marcos Valério.
Pior: o Supremo já condenou dois
petistas e caminha para condenar mais integrantes do partido. As penas tendem a
resultar em tempo na cadeia por corrupção.
Os dois mandatos de Lula são maiores do
que o escândalo do mensalão. Mas o erro do PT ao subestimar e minimizar o caso
cobra tardiamente um preço alto. A decisão do Supremo abriu o caminho para que
a oposição dê início a uma desconstrução de Lula que pode ter êxito. Uma
evidência é a dificuldade dos candidatos petistas nas eleições municipais para
explicar o mensalão e crescer nas pesquisas de intenção de voto.
*
Destinos ligados
A presidente Dilma tem se dito
preocupada com o humor de Lula. Ao avalizar a nota de seis partidos governistas
em defesa do ex-presidente, ela dá respaldo ao antecessor numa hora difícil.
Também faz um movimento de autopreservação. O eventual sucesso da desconstrução
de Lula poderia atingir Dilma, a principal ministra do seu segundo mandato. Há
temor no Palácio do Planalto de eventuais reflexos negativos na eleição presidencial
de 2014, como o estímulo a uma candidatura presidencial do PSB, por exemplo.
Kennedy Alencar escreve no site (Fonte),às
sextas. Na rádio CBN, é titular da coluna "A Política Como Ela É",
que vai ao ar no "Jornal da CBN" às 8h55 de segunda a sexta. Na
RedeTV!, apresenta os programas "É Notícia" e "Tema
Quente".
- Veja
Mais em www.boanoia.blogspot.com
-
terça-feira, 18 de setembro de 2012
O tal fragmento sustentando que Jesus teve mulher não tem importância e, vênia máxima, cheira a pesquisa militante - Por Reinaldo Azevedo
Sei que fica parecendo pretensão declarar a desimportância de um troço que mobiliza o mundo, como o tal pedaço de papiro que estaria a sugerir que Jesus Cristo teve uma mulher… Transcrevo trecho da reportagem de Ricardo Carvalho e Guilherme Rosa, na VEJA Online. Volto depois.
Um pedaço de papiro de apenas quatro por oito centímetros pode reacender o debate — e as teorias da conspiração — sobre a vida de Jesus Cristo e, em especial, sobre a possibilidade de ele ter sido casado. Uma historiadora especializada nos primeiros anos do cristianismo recebeu um papiro, que seria fragmento de um evangelho apócrifo, com uma frase nunca antes vista em nenhuma documento antigo: “Jesus disse a eles, ‘Minha mulher (…)’.” Embora outros evangelhos apócrifos façam referência a um Jesus que teria se relacionado, em especial, com Maria Madalena, nunca nenhum deles trouxe a palavra ‘esposa’.
O papiro é escrito em copta, um antigo idioma egípcio que usa caracteres gregos. A peça, trazida a público por Karen King, historiadora eclesiástica da Universidade Harvard, em um encontro de especialistas em copta em Roma, nesta terça-feira, teria sido escrita no século IV, mas provavelmente é uma cópia de um texto anterior feito por volta de 150 d.C.
Não é provaKaren já se antecipou à principal discussão que seu estudo provocará: em um texto publicado no site de Harvard, ela afirma que a referência não constitui prova de que Jesus Cristo tinha uma esposa. No entanto, se de fato datar do século 2 d.C., o fragmento indica que o debate sobre se aquele que é considerado filho direto de Deus pela cristandade era ou não celibatário era uma realidade 150 anos após a sua morte.
No artigo publicado no site de Harvard, Karen King batizou o achado de The Gospel of Jesus’s Wife (O Evangelho da Mulher de Jesus, em tradução livre). O texto apócrifo, composto por oito linhas, está totalmente fragmentado, o que dificulta qualquer tentativa de interpretação, segundo a própria historiadora. Mas ela é enfática ao comentar a quarta – e mais importante – linha, na qual se lê claramente: “Jesus disse a eles: ‘Minha mulher’.”
“Essas palavras não podem significar nada diferente”, disse Karen King ao jornal The New York Times. A quinta linha prossegue: “Ela estará preparada para ser minha discípula”, mas é incerto se Jesus estaria se referindo àquela que seria sua esposa ou a outra mulher. A historiadora tampouco acredita na tese de que a esposa em questão fosse Maria Madalena. Em entrevista publicada na Harvard Magazine , ela disse que nos textos antigos as mulheres eram sempre definidas pelo seu vínculo com homens (como na fórmula “Maria, esposa de José”). Jesus e Maria Madalena não são mencionados dessa forma em nenhum documento conhecido. “Toda a informação mais antiga e confiável sobre o Jesus histórico se cala a esse respeito”, diz a pesquisadora.
(…)
(…)
VolteiReproduzo trecho do que disse à VEJA Online André Chevitarese, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Comento em seguida:
“A professora Karen King é uma cientista da religião, muito respeitada na área. Mas ela é uma pesquisadora do tempo presente, cujas interpretações também falam do nosso tempo. Suas pesquisas destacam a presença e importância das mulheres no início do cristianismo, gozando de primazias no interior das igrejas antigas. Essas reivindicações antigas são transplantadas para os dias de hoje, quando as mulheres são excluídas da igreja. São as feministas que retomam essa experiência antiga, para usá-las em apoio às suas posições.”
“A professora Karen King é uma cientista da religião, muito respeitada na área. Mas ela é uma pesquisadora do tempo presente, cujas interpretações também falam do nosso tempo. Suas pesquisas destacam a presença e importância das mulheres no início do cristianismo, gozando de primazias no interior das igrejas antigas. Essas reivindicações antigas são transplantadas para os dias de hoje, quando as mulheres são excluídas da igreja. São as feministas que retomam essa experiência antiga, para usá-las em apoio às suas posições.”
“Usar esse fragmento para dizer que Jesus era casado é sensacionalismo. Seria fazer algo parecido com o que Dan Brown fez em O Código Da Vinci, onde usou trechos do Evangelho de Felipe em copta para dizer que Jesus beijou Maria Madalena. De novo, esse evangelho diz mais sobre as vivências dessa comunidade do que sobre o Jesus real.”
ComentoKaren King não é besta. Ela sabe que tem uma reputação acadêmica e que seu achado, ainda que verdadeiro, é amplamente insuficiente para atestar qualquer coisa sobre a relação de Jesus com as mulheres. Também não dá para ignorar que ela é justamente uma pesquisadora que lida com as questões de gênero na Igreja, especialmente fascinada, diga-se, por… Maria Madalena! É realmente uma sorte grande, não é mesmo?, ter encontrado um pedacinho de um papiro que vai ao encontro de suas curiosidades, de suas pesquisas, de sua, digamos, militância acadêmica.
Mas isso não é tudo, não! O celibato sacerdotal, como é sabido, não é um dogma da Igreja católica. E o celibato de Jesus também não está nessa categoria. Há vários indícios na Bíblia de que Jesus fosse celibatário, sim, e de que essa era uma orientação entre os primeiros divulgadores da fé cristã. Que importância tem isso? Vamos ver. A esterilidade, o “ventre seco” e a falta de filhos eram encarados como uma maldição. Lembrem-se como, a rigor, tudo começou: Deus concedeu a Sara, finalmente, a graça de um filho: Isaac.
Nesse contexto, o celibato se torna, antes de mais nada, uma decisão de caráter sacrificial, de renúncia voluntária àquilo que é considerado um grande bem, de entrega absoluta à Igreja. Mas que fique claro: a divindade de Cristo não tem nenhuma relação com o seu celibato ou não, ainda que o tal fragmento de papiro fosse suficiente para combater as evidências em contrário.
Assim, o pedacinho de papel é algo que não teria importância central ainda que se lhe pudesse dar fé histórica.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
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